Pular para o conteúdo principal

Como é namorar um músico


 Para quem tá pensando que a vida de uma garota que namora um músico é uma doce melodia tocada em um violão, com notas dedilhadas, está desafinadamente enganado.
 De vez em quando, encontramos uma corda desafinada, aí sai um pouco do ritmo. Tem uns desentendimentos quanto ao tempo usado pra demarcar alguns novos sons. Assim, até qual a palheta usar é motivo pra discussão.
 Mas quando tudo é decidido. Quando a afinação do violão, (ou qualquer que seja o instrumento) está afinado, no tom da voz dela (ou dele, não quero pregar o feminismo), tudo fica bem. Saem músicas inspiradoras, lindas, que contagiam outras pessoas, essas que algumas vezes não saberiam se expressar se não fosse através destas. A música que contagia e apaixona. Os sons que envolvem, que te abraçam, como um casal de apaixonados na mais magnífica emoção.
 Mas bom mesmo é quando o namoro começa. A primeira coisa que uma namorada espera é uma música pra ela, ou que ela seja a musa inspiradora de alguma música que o leve à algum lugar. O que é bem diferente de um casal de namorados comum. Comum seria aquele casal não-musical. Nesse casal comum, o que ela espera em primeiro lugar é uma aliança de compromisso. Mas é óbvio, na música, nada é normal.
 O pior não é ficar sem a música. O pior, é ficar sem ele, no fim de semana (ou feriado, tanto faz), porque ele vai se encontrar com os amigos "músicos" dele. O lado bom, é que se esses tiverem namorada, você está bem, porque se você não vai, elas também não vão, e com certeza, vão ficar nos pés dele. (isso, nos dois pés. Namorar músico não é fácil. Tem muita gente querendo um "showzinho" particular em casa. Ainda mais sabendo que ele é bom com os dedos.)
 Mas isso é só para aqueles que não sabem que a sua musa inspiradora, pode não ter rendido uma música, mas que ela rende uma orquestra inteira se for necessário. É para aqueles que não sabem que vale a pena aprender tocar até gaita de foles pra deixar ela (ele) feliz. Que nem uma melodia, composta pelos mais dedicados, pelos melhores músicos que já existiram no mundo conseguiu, ou consegue expressar exatamente o que é o amor. Ou alguma que conseguisse decifrar a cabeça de uma mulher, senão, Freud não teria sido um médico neurologista, mas sim um músico apaixonado e cafona.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma conversa sobre Tradição

  à Débora Rocha, amiga querida e professora admirável Em mais um outro dia, em conversa com uma de minhas amigas, um assunto que sempre surge é o ofício de ser professor. Para além de sê-lo, há ainda a diferença apontada por Norma Telles no artigo dela “ Autor+a ”, no livro organizado por José Luis Jobim, o Palavras da Crítica de 1992. Ora, o que tem a ver um livro que trata das “Tendências e Conceitos no Estudo da Literatura” com o ofício de ser professor+a? Espero e desejo que, diferentemente das cabeças maquinárias programadas para pensar e escrever um texto dissertativo argumentativo modelo Enem, eu consiga fugir desse padrão. Entendam: é muito, muito, muito (mas muito mesmo) difícil fugir de uma fórmula para executar qualquer tipo de atividade. A redação de qualquer tipo textual não foge à regra. Talvez o exemplo mais fácil para ilustrar o que eu digo seja uma metáfora besta, que há muitos anos, serpenteia os caminhos do conhecimento que tento, todos os dias, vincar para...