Pular para o conteúdo principal

Ei sociedade!

  Tempos difíceis, onde o que mais se ouve é: "Não sei!", por não querer dizer o que realmente pensam. "Talvez ...", quando o 'sim' e o 'não' estão pareados, porém a vontade do não em aparecer é maior. "Você é quem sabe.", quando só a raiva consegue definir o que se pensa, se sente e o que se deseja. Sem dúvida nunca ouvi algo que me deixasse mais desapontada e enraivecida. "Só depende de você.", essa é quando mais do que qualquer outra coisa, dando certo ou errado, a culpa é sua (!), e a pessoa quando diz isso, já se isenta de qualquer parte no que aconteça. "E se...?" isso se ouve muito, de si mesmo, que querendo ou não, acabamos pensando na possibilidade de um acontecimento além do que esperamos. E "Faça o que você quiser", além de dar uma fervida no seu sangue, devido ao ódio que essa frase causa, essa frase representa também, o total sentimento de raiva, descaso e desapontamento.
 Onde qualquer coisa mal dita pode virar uma tempestade e causar feridas imensuráveis. Onde mais que tudo os ouvidos captam coisas do nada. Você fica mais atendo do que deveria. Onde as pessoas ouvem frases pela metade e já tiram conclusões. Espere aí... Que tempos são esses? Tudo sempre foi assim o tempo todo, porém, onde só se escuta o que se tem vontade de ouvir. O que foi que mudou além do clima? O governo continua com a mesma bandidagem. Continuam dando cargos a quem não entende nada. Dão ao psicopata, a faca e ao político, o cidadão ignorante.
 É assim que vivemos desde sempre, e nos acomodamos a isso. E ainda nos importamos quando alguém se refere a nós como um país subdesenvolvido. Onde a educação não tem qualidade, nada se é de qualidade. No lugar onde se formam cidadãos cegos, e desinteressados pelo mundo. Onde cada vez que a palavra greve é citada, a primeira imagem formada na cabeça não é a de pessoas lutando por algo e esperando piamente o resultado. Mas sim alguns dias deitados no sofá, comendo bastante e só esperando para se tornar o primeiro bípede que pasta. Que, ao invés de pastar grama, pastam merda oferecida pela televisão.
 Ei, sociedade! Ao menos vistamos a fantasia de palhaço, já que tudo não passa de enganamento, já que não temos o poder do conhecimento.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Uma conversa sobre Tradição

  à Débora Rocha, amiga querida e professora admirável Em mais um outro dia, em conversa com uma de minhas amigas, um assunto que sempre surge é o ofício de ser professor. Para além de sê-lo, há ainda a diferença apontada por Norma Telles no artigo dela “ Autor+a ”, no livro organizado por José Luis Jobim, o Palavras da Crítica de 1992. Ora, o que tem a ver um livro que trata das “Tendências e Conceitos no Estudo da Literatura” com o ofício de ser professor+a? Espero e desejo que, diferentemente das cabeças maquinárias programadas para pensar e escrever um texto dissertativo argumentativo modelo Enem, eu consiga fugir desse padrão. Entendam: é muito, muito, muito (mas muito mesmo) difícil fugir de uma fórmula para executar qualquer tipo de atividade. A redação de qualquer tipo textual não foge à regra. Talvez o exemplo mais fácil para ilustrar o que eu digo seja uma metáfora besta, que há muitos anos, serpenteia os caminhos do conhecimento que tento, todos os dias, vincar para...