Passei o dia com enxaqueca, talvez consequência da febre que se estendeu
por três dias e, ao que tudo indica, findou ontem. O que causou o mal-estar?
Não sei. Não quis ir ao médico e me dei três autodiagnósticos: 1) dengue; 2)
covid e 3) (a clássica) virose. Primeiro descartei a SARS-CoV-2, porque agora
(sete anos depois) os sintomas terríveis presentes na pandemia de 2019 são, para
aqueles que se vacinaram, apenas os de uma gripe comum, e também porque, na
minha cabeça, eu estava enxergando manchinhas vermelhas – comum na dengue –
espalhadas pelo meu corpo. Além da terrível dor de cabeça que doía atrás dos
olhos. Depois, comecei a sentir o nariz entupido, ter muita dor nas costas
(como tive quando estive com covid) e muita vontade de comer “porcaria”, comida
de baixíssima qualidade nutricional... Como não tive nem enjoo e nem dor de
barriga, mas acordei com a péssima sensação de ressaca, bastava me levantar da
cama que parecia que meu cérebro estava sendo chacoalhado, concluí sendo mesmo
virose.
O objetivo de hoje não era, sobretudo, falar sobre mim, era para escrever
ficção que, depois de muitas reflexões pouco pragmáticas no fim do ano de 2025,
ficou como resolução para essa “nova” vida, o ano um (e nem é sobre zodíaco e
horóscopo...), ano dos meus 31. Quer dizer, sob essa perspectiva somativa dos
anos, talvez tenha qualquer relação com esoterismo. Antes disso, apresento o
que me fez pensar na quantidade de tempo que gastei, todos os dias, até o
último ano (2025), trabalhando. O INSS fez essa conta pelo tempo que tenho de
contribuição, mas, por dia útil, trabalhei, em média, 8 horas por dia. Dos meus
18 anos, até o dia 22 de setembro de 2025, eu tive apenas duas férias remuneradas
– se a minha mente burnoutada não me deixar falhar – e, quando não estive em
contrato formal celetista, estive trabalhando de modo independente, mas paguei
minha aposentadoria “por fora”.
Quem me lê até agora, nesta extensão do meu texto, pode estar querendo
saber quando apresentarei os números faltantes para a minha saída do mercado de
trabalho... afinal, para além de eu ter dado essa brecha, em decorrência do que
escrevi no parágrafo anterior, o assunto é ligado ao tema que foi recorrentemente
abordado pelo Cebrasp, tanto no Concurso Nacional Unificado (CNU) quanto no
Enem, no ano passado: o idadismo/ etarismo. A verdade é que me aposentar, como
para a maioria dos que dividem esta mesma geração comigo, está muito mais para
a ficção do que qualquer exercício de escrita criativa presente no mercado
literário.
Quando a gente ama – “é claro que a gente cuida”–, a gente pode dizer
que daria a vida por aquilo e, veja só, eu acabei dando o meu “sangue”, sim, por
trabalho, por dinheiro, e por isso achei enganadamente que era amor – “era
cilada”. Diante disso, como a gente tem a capacidade de dizer “trabalhe com o
que ama, e nunca mais amará nada na vida”? Eu não trabalho com o que eu amo, eu
trabalho com aquilo que me foi possível e, desse modo, busquei certa satisfação
e, por quê não?, reconhecimento da qualidade desse labor. O problema foi, exatamente,
ter acreditado que isso é o que eu amo. Não. Isto, seja digital ou
analogicamente, com caneta ou grafite, é o que amo. Escrever, para mim, ainda
não foi o suficiente para me manter no sistema capitalista, mas é parte da
insuficiência de existir na contemporaneidade.
Logo, a intenção deste texto é analisar, sem dados, o tempo gasto
fazendo o que eu não gosto, mas o que precisei, e fazendo de menos aquilo que
eu sempre amei, que é ler e escrever. Espera, não significa que eu não gosto de
dar aulas de português e suas variantes. Não significa que corrigir e revisar
textos seja uma tortura. O que está sendo dito aqui é que, fazendo coro ao
texto postado ontem, eu gastei, até então, pouquíssimo tempo fazendo aquilo que
eu de fato amo, em detrimento daquilo que me permitiu me manter viva. Faz
sentido?

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